‘Estou no filme De Volta Para o Futuro 2’, diz Ravengar ao ser preso, desta vez com parentes

RAVENGAR
(Foto: Evandro Veiga/Arquivo CORREIO)

Condenado a 25 anos de prisão, atualmente cumpridos no regime semiaberto, Raimundo Alves de Souza, o Ravengar, 64 anos, foi preso no início da manhã, em uma casa no Largo do Tanque, e apresentado na sede da Polícia Civil, na Pituba, na tarde desta quinta-feira (16), mais uma vez acusado de atuar no tráfico de drogas ilícitas. Ravengar estava no semiaberto desde 2012.

Ele foi capturado na Operação Petros, deflagrada em 15 localidades nos bairros da Fazenda Grande do Retiro, Pero Vaz e Paripe, na madrugada de hoje. Desta vez, Ravengar foi preso com a ex-companheira Ana Carolina Ramos Vilas Boas, 25 anos, além de dois filhos – Izidro Alves de Souza Neto, 42 anos, Emerson Silva Napoleão Souza, 27 –, e um neto – William Ailton Silva Souza, 23. Foram presos ainda Josué Messias Guimarães dos Santos e Silvio da Silva Napoleão.

“Eles foram na minha casa às 5h da manhã. Na casa de meus filhos, meus netos, e não achou um pingo de drogas, velho”, reclamou Ravengar, ao negar que tenha voltado à vida do crime.

Dos sete mandados de prisão, seis foram cumpridos na operação, que envolveu 50 policiais. A delegada Andréa Ribeiro, coordenadora de Narcóticos, e o delegado Alexandre Galvão, do Draco, foram os responsáveis por conduzir a apresentação dos presos. “Foram dois anos investigando esse grupo”, comentou Galvão. Outras quatro pessoas foram detidas na operação e uma permaneceu presa, totalizando sete prisões.

Filme repetido
Exaltado, Raimundão comparou a prisão a um filme hollywoodiano. “’Estou me sentindo no filme De Volta Para o Futuro 2’”, disse, e voltou a questionar a investigação. “Mande a polícia apresentar um pingo de droga. Isso aí quer o que, velho? Eu estou há quatro anos solto. Eu tenho a minha atividade limpa. Eu tenho uma tristeza. Meu filho trabalha na feira”, comentou.

Ravengar também diz não representar um perigo para a sociedade e questionou sua prisão. “O que a Lei de Drogas fala? Pra você ser um grande líder de organização criminosa, você tem que ter uma vultosa soma no banco, você tem que ser pego com uma grande quantidade de drogas e você representar perigo pra sociedade”, concluiu.

Investigação
De acordo com o delegado Galvão, Ravengar vem sendo investigado desde 2014. Ainda segundo ele, um traficante de outra localidade entrou em contato com Raimundo para conseguir uma quantidade de droga. “

Temos um informe de um investigado por tráfico de drogas que entrou em contato com ele [Ravengar] para conseguir uma partida de droga que naquela oportunidade só Ravengar teria”, contou galvão na coletiva. O delegado, por sua vez, não revelou qual seria a droga requisitada bem como a quantidade.

Galvão ressaltou ainda que a prisão de Ravengar deixa claro que não pode haver a figura do “Rei do Crime”. “A prisão de um indivíduo que voltou a delinquir após ter cumprido parte de sua pena é fundamental para dar à sociedade a sensação de punição e de capacidade de reação do estado frente ao crime”, completou.


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